. Objeto: das ilustrações que tradicionalmente acompanham produções de entretenimento eletrônico da denominada Rockstar Games, notadamente sua franquia Grand Theft Auto (GTA).
Histórico: peças que são, não raro, de rebentar com tudo munto foda maluko mermão vou botar de tela de fundo.
Abordagem: pretende-se aqui enquadrar na análise peças que, se em nível superficial alinham-se com os conceitos estabelecidos de tempo/espaço/leis da física no mundo reconhecido, em observação mais detalhada revelam-se produtos de uma política devastadora que incentiva molecada a tacar fogo na cortina e passar lambida e canivete no pescoço da empregada.
Metodologia: captura de telinhas/tradição ocidental.
Caso 1: da senhorita possivelmente envolvida em atividades ilícitas, com o pirulito na boca e seis dedos na mão direita. Como visto em: sítio oficial do jogo (Game).
Shake your body, shake your body
Caso 2: do polêmico empresário de casas noturnas, com figurino extravagante e bebida espumante que desafia as leis da gravidade, evadindo-se da garrafa quando deveria era ficar na boa. Como visto em: reprodução de peça (scan) da revista Edge, edição 208, página 21.
Trechos mais ou menos traduzidos de “Trigger Happy”, de Steven Poole (2000), indispensável e com download gratuito em PDF por aqui.
“Obviamente, os videogames foram programados pela Natureza para serem promíscuos: quanto maior o número de humanos impregnados com o código, maiores as chances de a nova geração sobreviver”.
“A Nintendo era os Beatles: diversão pra toda a família, com superioridade artística mas uma ligeira preocupação em manter uma imagem inofensiva; a Sega, por outro lado, era os Rolling Stones, a gangue com a malandragem das ruas, garantindo a agitação para os jogadores hardcore”.
“De certa forma os videogames são apenas uma forma de entretenimento – mas comparados a algumas outras, são uma opção muito mais interessante. E ainda parece haver aquele medo de que os games estejam se acotovelando com outras formas de arte, e de que nós estejamos incentivando uma geração de andróides vidrados em um monitor, sem habilidades sociais, sensibilidade poética ou ambição empresarial”.
Oito refeições em 20 dias. 112 km de carro, 2 minutos em compras, 3 vezes bêbado. “Casual user” é o “addiction level”, dizem.
Nick Yee é acadêmico que estuda as comunidades que se formam nos RPGS on-line (MMORPG). Um dos pitacos do cara no Daedalus Project diz que “o mundo virtual é justo, ao contrário do real”. Ou seja: você não errou, você recebe – sem as decepções que rodeiam a tal “vida real” e te fazem “amar muito tudo isso”.
Hobby: discutir em público na vida real as missões mais recentes da virtual. Pessoas estranhas.
Roman Bellic, o primo: “It´s the cheap gas, the fast-food, the fake titties. There´s a shortcut for everything here in America”
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10,87% do jogo completo, 86 tiros, 15 mortes (3 acidentais) e 12 carros roubados (e devolvidos, de certa forma). Hora das primeiras lições de vida de GTA IV.
- lan house custa US$ 1
- ficar no carro ouvindo smashing pumpkings não resolve nada
- não ligue pra Michelle às 2 da manhã (ela acorda às 6 no dia seguinte)
- não mande 6 emails ao mesmo tempo procurando um amor em sites de relacionamentos
- carros são como as folhas de amora no verão: vão e vêm. alguns ficam
- o carro de Little Jacob vem com reggae de fábrica
2) Intolerância de prazos. Dia 10 é dia 9. Prazo é prazo. Prometeu, cumpriu em dobro.
Seguindo esse drama, pré-venda é pré-venda. Você pagou antes e deve receber antes. Mas a Fnac não é gamer, e parece pensar diferente.
Pra ler o interlúdio burocrático de explicação rápida, selecione o texto: comprei GTA 4 na pré-venda. eles prometeram uma data. depois outra. depois outra. quase sempre sem avisar. chegou o prazo final, prometeram de pé junto e email com abraços. passou e nada. reclamei e responderam “pedido cancelado porque acabou aqui no estoque, muito obrigado”. na loja tinha de monte.
Então fui até a loja (da mesma Fnac, vai entender) e peguei o GTA 4. Capa brasileira, chaveirinho (chuuuupa, EGM!) e os mapas da cidade e do metrô que fazem toda a diferença. Por enquanto, 3% do jogo completo: nenhum roubo, dois lanches, um atropelamento e três batidas – uma delas no carro da polícia, o que me levou pra passear na delegacia. Uma morte, acidental – empurrei o cara, o vidro estourou e foi com ele pro mar. O objetivo, perceba, é seguir a carreira politicamente correta em Liberty City. Veremos.
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* Essas, mais de mercado. Futuramente há de aparecer por aqui um relato daquelas “mais de atitude”.
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Dessa vez acertaram o destinatário – só erraram a data.
E nem vou reclamar que só o terceiro adiamento da data de entrega de GTA 4 teve esse aviso cordial com fundo de caderno de arame. Tanta gente morrendo atropelada e eu aqui reclamando…
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É isso que dá fugir das respostas nerds no “teste de personalidade” do fantástico site de GTA IV. “Dreams that involve identical men in cardigans” o caray. Depois essa Rockstar toma um processo…